Cachorros conseguem detectar malária cheirando as meias dos pacientes

Não é novidade que os cachorros possuem um faro extremamente apurado: os cãezinhos já provaram ser capazes de identificar drogas ilícitas, câncer de próstata e de tireoide, bem como alertar humanos sobre o risco de diabetes. Mas o que não se sabia era que o seu olfato poderia ser uma poderosa arma no combate à malária.

Segundo um estudo divulgado no congresso anual da Sociedade Americana e Higiene Tropical, em Nova Orleans, nos Estados Unidos, os animais são capazes de diagnosticar uma pessoa com a doença apenas cheirando a sua meia, ainda que a pessoa não apresente nenhum sintoma. A pesquisa foi financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, que tem como principal missão projetos visando melhorias da saúde pública e combate à pobreza.

Muitos países estão chegando perto da erradicação da Malária ou já conseguiram extinguir a doença, como é o caso de Sri-Lanka, afirmou Steven Lindsay, especialista de saúde pública da Universidade de Durham e líder do estudo. “A questão agora é como você mantém a doença longe da população se os mosquitos continuam por aí”.

Lindsay explica que o maior problema são os pacientes assintomáticos, porque se houver um único indivíduo com a doença em uma população de mil habitantes é extremamente difícil identificá-lo.

Para realizar o estudo, os pesquisadores pediram para que crianças que vivem em Gâmbia, país localizado no continente africano, usassem meias de náilon durante a noite e doassem uma amostra de sangue para que pudessem verificar a existência da doença infecciosa. “Ao ser infectado pelo parasita da malária, a pessoa passa a apresentar odores na respiração e na pele que podem ser um sinal para identificar a doença”, conta Lindsay.

As meias foram congeladas e levadas ao Reino Unido, onde dois cachorros, um labrador e um labrador-retreiver, foram treinados durante meses para identificar quais crianças tinham sido infectadas pela malária e quais estavam saudáveis. O time observou quando os cães paravam por mais tempo em determinada meia. Esse era o sinal de que a pessoa que a usou tinha malária. O resultado foi que os cachorros identificaram meias usadas por pessoas infectadas em 70% das vezes.

Fonte: Revista Galileu