A infestação de escorpiões atinge níveis alarmantes

A infestação de escorpiões no Brasil é o exemplo perfeito de como a vida moderna se tornou imprevisível. Vivemos em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Cerca de 2,5 bilhões de pessoas, do México à Rússia, vivem com escorpiões, que geralmente preferem habitats quentes e secos.

Mas as cidades brasileiras fornecem excelentes locais de habitação para os escorpiões, dizem os especialistas. São abrigados em redes de esgoto, muita água e comida no lixo que não é recolhido. Para piorar, os escorpiões não têm predadores naturais em quantidade. Aparentemente, só as lagartixas matam escorpiões, mesmo assim, em pequena quantidade.

Escorpiões, como as baratas que eles comem, são espécies incrivelmente adaptáveis. Como o clima no Brasil vem ficando a cada ano mais quente, os escorpiões estão se espalhando por todo o país, chegando até nos Estados sulistas, mais frios, onde não existiam relatos de ataques até este século.

Picadas saíram de 12.000 para 140.000

De acordo com o Ministério da Saúde, o número de pessoas picadas por escorpiões saltou de 12.000 no ano 2000 para inimagináveis 140.000 no ano passado. As picadas são dolorosas, mas raramente levam a óbito. Para as crianças, no entanto, são perigosas e requerem atenção médica urgente. Oitenta e oito pessoas morreram em 2017, quase todos crianças.

Em Americana, cidade do Estado de São Paulo, um raro caso onde as autoridades criaram batalhões para busca noturna de escorpiões, capturaram mais de 13.000 no ano passado. Isso equivale a um escorpião para cada 15 pessoas. Talvez não seja essa a taxa da infestação nos demais municípios brasileiros, mas sem dúvida será um número similar.

Pior ainda: a espécie que aterroriza os brasileiros é o escorpião amarelo, altamente venenoso. Se reproduz através do milagre da partenogênese. Isso significa que um escorpião feminino gera cópias de si mesmo sem nenhuma participação masculina. E isso ocorre duas vezes ao ano. Cada partenogênese gera de 20 a 30 escorpiões bebês. Embora a maioria morra nos primeiros dias, livrar as cidades de escorpiões é uma tarefa hercúlea, se não totalmente impossível.

Problemas perversos em um mundo louco

A infestação de escorpiões é um clássico problema perverso. Esse termo refere-se a enormes problemas sociais ou culturais, como pobreza e guerra. Problemas sem solução simples e muito menos definitivo.

O caso dos escorpiões invadindo as cidades é resultado de uma gestão cultural inadequada de lixo, saneamento frágil, urbanização rápida e mudança climática.

É provável que seja tarde demais para impedir a disseminação de escorpiões nas cidades. Os governos estão mal equipados ou não têm equipamento algum para esse combate. É quase certo que os escorpiões tenham conquistado seu lugar ao lado de crimes violentos e tráfico brutal com que temos de lidar diariamente.

É melhor aprender os cuidados após picada de escorpião.

Recomendações após picada de escorpião

O tratamento de picada de escorpião é feito com medicamentos anestésicos e analgésicos. O tempo de duração é de seis horas. Nos casos mais delicados, a vítima deve receber soro antiescorpiônico e ficar em observação durante 12 horas. A dor geralmente é moderada ou intensa, com possibilidade de formigamento no local atingido. Nos casos mais graves pode ocorrer náuseas, vômito, transpiração intensa, aumento da frequência cardíaca, agitação,salivação e tremores.

Os cuidados residenciais devem ser: manter o jardim e o quintal limpos, não secar roupas no muro, em cercas ou no chão, sacudir as roupas e calçados antes de usá-los, verificar os lençóis antes de deitar, deixar berços e camas afastados da parede por pelo menos 10 cm, colocar telas nos ralos e fechar buracos em paredes.

FONTE: Campo Grande News