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Vacinação contra dengue é recomendada para quem já teve a doença

Com a aproximação dos meses mais quentes e da quadra chuvosa, o clima está propício para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor das arboviroses dengue, zika e chikungunya. O Ceará é o estado brasileiro com maior ocorrências de dengue desde 2008. Nos últimos 10 anos, foram registrados 425 casos para cada 100 mil habitantes no Estado, em comparação aos 407 em todo o País. A vacina é a melhor alternativa para aqueles que já foram expostos à endemia.

De acordo com o infectologista pediátrico Robério Leite, o Ceará é mais propenso ao vírus porque há pouca variação climática, à qual o mosquito é sensível, e por causa do “costume” do cearense de acumular água nas residências. Ele ressalta que, em 2018, 84% dos casos graves de dengue resultaram em óbito no Estado.

 

Robério lembra ainda que a segunda infecção da doença é sempre mais perigosa. Existem quatro tipos de vírus da dengue, possibilitando que um indivíduo adoeça até quatro vezes durante a vida.

 

Por isso, a vacinação é um dos melhores métodos para evitar novas infecções em pessoas que já tiveram a doença. Atualmente, a única vacina liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a Dengvaxia. A substância passou 20 anos sendo desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, e é indicada apenas para pacientes soropositivos para a dengue, com idade entre 9 e 45 anos. Ela evita três em cada quatro casos dessa arbovirose.

 

Entretanto, ela só é oferecida pelo sistema público de saúde no estado do Paraná, onde ocorreram dois mil casos de dengue por cem mil habitantes no ano de 2016. Dois anos após a implementação da vacina no estado sulista (em 2016), a Secretaria de Saúde do Paraná informou que nenhum paciente teve reação grave à substância. No restante do País, a vacina está disponível em clínicas particulares.

 

Jocileide Campos, diretora regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) do Ceará, informa que inexiste expectativa de inclusão da vacina contra a dengue no sistema público de saúde cearense. Ela afirma que essa decisão depende do cenário de risco do estado. “Por enquanto, o governo decidiu que não é o momento de custear a vacina no Ceará”.

 

Segundo Robério Leite, epidemias de dengue tendem a surgir a cada três anos. O ano de 2015 foi o segundo com maior número de casos no Estado, depois de 2011.

 

A diretora regional da SBIm de São Paulo, Melissa Palmieri, explica que, para indivíduos nunca expostos à doença, as “técnicas de barreira” são a única forma de prevenção. É recomendável limpar telhas, pneus e qualquer outro foco de água parada uma vez por semana e usar repelente.

 

O repelente deve ser aplicado nas áreas expostas do corpo, nos turnos da manhã e antes do entardecer, horários em que os mosquitos circulam com mais frequência. Além disso, existem repelentes indicados especialmente para gestantes e lactantes, grupo contraindicado para tomar a vacina. Arboviroses também podem ser transmitidas pelo sêmen. Portanto, o uso de preservativo é essencial. (Catalina Leite/ Especial para O POVO)

 

Números

 

75% é o percentual aproximado de pessoas com vírus da doença no Ceará nos anos 2013 e 201420% é o índice de mortalidade por dengue na ausência de intervenção médica no período entre três a seis dias de infecção 7 dias é o tempo necessário para uma fêmea do mosquito Aedes aegypti repor os ovos

Fonte: O POVO